sábado, 28 de maio de 2011

Desejo e destino

Era uma noite particularmente escura, diferente de qualquer outra que Júlia se lembrasse. No céu brilhava alta e alva, a lua.
Júlia e André iam em direção ao parque que estava na cidade naquele mês. Eram amigos desde que se lembravam, suas mães eram amigas e vizinhas, mas era fato notável para qualquer um que havia algo a mais.
Logo que entraram pelos grandes portões do parque, viram uma faixa grande que dizia:
“Madame Zorah: conto segredos seus que nem você sabe.”
 Foi quase combinado, ao lerem a faixa Júlia e André olharam um para o outro e começaram a rir.
Embora estivesse rindo, Júlia sentia em seu coração que algo iria mudar naquela noite. Passaram na porta da tenda e ouviram uma voz lá de dentro:
- Júlia, não tem algo que te perturba?- E Júlia deu um salto, visivelmente assustada.
-Jú, eu acho que ela tá te chamando-André disse com a voz trêmula.
-Para André. Não brinca assim- Disse Júlia, pegando no braço do amigo e caminhando pra dentro da tenda.
- Quê que você tá fazendo? Você vai mesmo entrar aí sua doida?- disse André sussurrando.
-Tá com medo André? Não precisa ficar. Madame Zorah só faz o bem- Disse uma mulher vestida de vermelho, de longos cabelos negros, que aparentava ter uns 40 anos, sentada a uma mesa com toalha vermelha com detalhes dourados que tinha uma bola de cristal onde ela passava as mãos simultaneamente.
- É... A senhora nos conhece? De onde?-Júlia perguntou de pé, cruzando os braços em frente à mulher.
-Madame Zorah sabe de tudo, minha querida- disse a mulher quarentona, soltando um leve sorriso.
- Aham... Sei. Tudo, tipo o quê?-Disse Júlia se sentando. Enquanto André observava tudo de longe.
-Tipo, que você quebrou o braço quando tinha nove anos, andando de bicicleta-Madame Zorah disse levantando as sobrancelhas.
-Ah... E o quê mais você sabe da minha vida, Madame?- Disse Júlia em um tom curioso.
-Madame Zorah sabe tudo o que quer saber e o que você também não sabe minha cara.
-Exemplifique, por favor- disse Júlia.
-Você o André se conhecem desde sempre. São muito próximos, não irmãos. Vai, além disso, são melhores amigos um do outro...
- É-Júlia e André disseram juntos.
-Não terminei. Muito embora, a relação de vocês vá além... - disse a cartomante em um tom sugestivo.
-Sim, senhora... Quero dizer... André e eu somos muito próximos sim, quase irmãos.
-Não, meu bem. Quando digo além, falo de destino, amor, almas gêmeas- disse Zorah sorrindo.
-Como assim?- Júlia e André disseram juntos novamente.
-Ah, vocês não se declararam ainda? Uh! Desculpe! Estraguei sua surpresa, André? Montanha russa era uma boa pedida-disse Zorah piscando para André. Júlia rapidamente olhou para trás e viu o amigo totalmente sem graça olhando para baixo, com as mãos nos bolsos- Ele tinha uma aliança, sabia? Muito fofo!
-Não, eu não sabia!-Júlia virou-se para trás- André, você conhece essa mulher?
-Claro que não, Júlia! De onde eu a conheceria?
-Ah! Sei lá!-e Júlia saiu da tenda correndo.
- Quem é você?- André perguntou a Zorah e saiu correndo atrás de Júlia.
-A força de seus pensamentos, querido. A força de seus pensamentos- Madame Zorah disse quase num sussurro.
-Jú! Espera!- André gritou alcançando a amiga.
-O que foi isso?-Júlia disse visivelmente abalada, abraçando o amigo.
-Não sei- André disse envolvendo-a em seus braços
Depois de alguns minutos abraçados em silêncio Júlia perguntou:
-André, é verdade o que ela disse?- disse Júlia olhando pra André com a cabeça encostada em seu peito.
-É- disse André soltando-se da amiga e olhando pra baixo- Júlia levantou o rosto de André pelo queixo fazendo com que os olhos dele se encontrassem com os dela.
-Só pra você saber, eu ia adorar. Não precisa ficar sem graça-Júlia disse sorrindo.
André ajoelhou-se em frente à Júlia, tirou do bolso uma caixinha vermelha, abriu-a e disse:
-Não foi na montanha russa, mas vale? Júlia Laranjeira quer ser minha namorada?
-Ah! André- Júlia abaixou-se até André e o beijou.
Semanas depois Júlia e André foram atrás de madame Zorah, para agradecê-la. Ao chegarem ao parque não viram nem a faixa nem a tenda de Madame Zorah. Resolveram perguntar ao segurança.
-Com licença, senhor. O senhor poderia me informar onde está Madame Zorah?- André perguntou.
-Madame Zorah? Tem ninguém neste parque com esse nome não, garoto.
-Como não? Viemos aqui há duas semanas e ela estava.
-Nunca existiu nenhuma madame Zorah aqui. Deve estar no parque errado, garoto. Com licença.
 Um sopro forte de vento passou e Júlia se agarrou a André e os dois foram embora.
Às vezes, queremos tanto as coisas que quando elas acontecem atribuímos os méritos a outras coisas, outras pessoas. Sem querer acreditar que é só destino dizendo sim aos nossos desejos.
Ingrid Marinho

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Já não sei

Toda vez que te vejo
É a mesma coisa louca
Sinto a respiração se apressar
E o coração pulsar na boca
Ouvir-te falar de mim em saudoso tom
Faz-me ter lembranças de um passado bom

Tenho que confessar que sinto saudades sim
E isso não envergonha a mim
Afirmar que eu te amei
E que hoje já não sei
Se te esqueci.

Ingrid Marinho

sábado, 7 de maio de 2011

Pronta pra te amar

Me sinto mal
Por não ser o bem de alguém
Me sinto mal por não ter ninguém
É tão ruim
Não gosto de me sentir assim
Eu quero alguém pra mim
Faço mal por querer minha metade?
É errado querer um amor de verdade?
Em meus sonhos eu te vejo
E isso aumenta meu desejo
Te quero sempre mais
Isso tira minha paz
Te quero mais perto
Quero a certeza do certo
Será mesmo que não vê
Que sou louca por você?
Quando vai vir ao meu encontro?
Você é, ou, só se faz de tonto?
Não é difícil de enxergar
Que tô pronta pra te amar.
                                                                  Ingrid Marinho

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Não escolhi

Pra quê sumir sem dar sinal?
Pra quê me deixar de baixo astral?
Me explica o que pretende me deixando sem notícias de você
Sumindo de repente
Não faz com que me sentimento diminua
Infelizmente, faz com que aumente
Não é voluntário, acredite.
Não é opção, eu não escolhi, é assim, mesmo que eu hesite.
Por favor, não vá!
Não suportaria ver você se afastar
Não peço, embora eu queira, que se apaixone por mim
Só peço que me deixe estar perto, bem assim.
Ingrid Marinho